O glitter virou quase um símbolo oficial de Carnaval. Ele aparece no rosto, nos olhos, nos lábios, no corpo e até no cabelo. O problema é que, por trás desse brilho todo, existe um material que não foi criado para ser usado diretamente na pele, muito menos em regiões sensíveis, por longos períodos e sob sol forte.
Grande parte dos glitters é feita de partículas plásticas ou metálicas muito pequenas. Essas partículas podem se comportar como pequenos fragmentos rígidos em contato com a pele. Na prática, isso significa que elas podem arranhar, irritar e sensibilizar a superfície cutânea, especialmente em peles maduras, finas ou que já têm alguma doença de base.
Em resumo, o glitter pode ser divertido, mas não é inofensivo.
Por que o glitter pode agredir a pele
Quando olhamos de perto, o glitter é formado por inúmeras micro partículas com bordas irregulares. Na pele, principalmente quando a pessoa fricciona o rosto, coça ou esfrega para aplicar e retirar, essas partículas podem causar microlesões. São pequenos machucados que você não vê, mas a pele sente.
Essas microlesões facilitam a entrada de substâncias irritantes e aumentam o risco de inflamação local. Se o glitter é aplicado por cima de uma pele que já está sensibilizada por sol, por ácidos, por esfoliantes ou por suor excessivo, o risco de desconforto aumenta ainda mais.
Em peles oleosas ou acneicas, o glitter pode se misturar ao sebo e entupir ainda mais os poros. O resultado é um cenário perfeito para piora de cravos, espinhas e inflamações.
Glitter e dermatite de contato
Outro ponto importante é o risco de dermatite de contato. Alguns glitters possuem corantes, metais ou componentes da cola do glitter que podem desencadear reações alérgicas. A pele pode ficar vermelha, coçar, arder e formar pequenas bolinhas ou manchas irritadas.
Quem já tem histórico de alergias, dermatite atópica, rosácea ou pele muito sensível tem risco maior de reagir. O uso repetido, em vários dias de festa, também aumenta a chance de irritação.
Por isso é fundamental lembrar que nem todo produto de papelaria ou fantasia foi testado para uso cosmético. Produtos destinados a artesanato, escola ou decoração não devem ser usados na pele.
Glitter e doenças de pele como acne e rosácea
Peles com acne, rosácea, melasma ou sensibilizadas por tratamentos estéticos exigem cuidado redobrado. O glitter pode:
- Piorar a inflamação da acne ao obstruir poros e aumentar o atrito
- Intensificar vermelhidão e ardor em quem tem rosácea
- Contribuir para irritações que dificultam a recuperação da barreira cutânea
- Atrapalhar o tratamento de manchas se a pele estiver mais inflamada depois do Carnaval
Ou seja, quanto mais inflamada e sensível a pele já é, maior a chance de o glitter causar algum tipo de incômodo.
Os riscos do glitter na região dos olhos e da boca
Regiões como pálpebras, linha dos cílios e lábios são ainda mais delicadas. O glitter pode cair dentro dos olhos, provocar sensação de areia, lacrimejamento, vermelhidão e, em casos mais graves, até arranhar a superfície ocular.
Na região da boca, o glitter pode ser ingerido em pequena quantidade enquanto a pessoa come, bebe ou fala. Embora uma pequena ingestão acidental geralmente não cause algo grave em pessoas saudáveis, não é algo desejável, principalmente se o produto não for específico para uso cosmético.
Por isso, a região dos olhos e dos lábios exige um nível de cuidado muito maior. O ideal é sempre escolher produtos próprios para essas áreas, desenvolvidos por marcas confiáveis e com registro adequado.
Quem deve evitar o uso de glitter no rosto
Alguns grupos se beneficiam mais de evitar o glitter diretamente no rosto, principalmente no Carnaval:
- Pessoas com pele muito sensível ou fina
- Quem tem rosácea, dermatite atópica ou dermatite seborreica no rosto
- Quem está em uso recente de ácidos, peelings ou lasers
- Pacientes com melasma em fase inflamada
- Pessoas com histórico de alergia a maquiagens, esmaltes ou bijuterias
Se a pele já está em tratamento ou recuperação, expô la a atrito, calor intenso e partículas irritantes pode atrasar o resultado que você tanto deseja.
Como usar glitter com menos risco
Se a pessoa ainda assim quiser usar glitter no Carnaval, é possível reduzir os riscos com algumas medidas inteligentes.
Sempre priorize produtos cosméticos próprios para o rosto, específicos para maquiagem e de marcas confiáveis. Eles tendem a ter partículas menores, bordas mais suaves e formulação pensada para uso cutâneo.
Aplique o glitter sobre uma base de maquiagem ou um produto que forme uma espécie de filme protetor. Isso reduz o contato direto das partículas com a pele. Evite aplicar glitter em áreas já irritadas, com lesões abertas ou muito ressecadas.
Também é importante lembrar de não esfregar o rosto com força. Quanto mais atrito, maior o risco de arranhões microscópicos.
Como remover o glitter sem machucar a pele
A remoção é um dos momentos mais críticos. Puxar, esfregar, usar lenços muito secos ou repletos de atrito só aumenta o dano.
A melhor forma de remover o glitter é com produtos que dissolvem a maquiagem, como óleos de limpeza ou balms demaquilantes. Aplique com delicadeza, faça movimentos suaves e deixe o produto agir para soltar o glitter da pele.
Depois, finalize com um sabonete suave e água em temperatura agradável. Evite usar esfoliantes físicos ou buchas logo após o glitter, pois a pele já estará mais sensível.
Em seguida, capriche na hidratação, especialmente se a pele for madura. Ativos calmantes podem ser grandes aliados neste momento, como pantenol, niacinamida em baixa concentração e ingredientes que ajudam a restaurar a barreira de proteção.
Conclusão: brilho com responsabilidade
O glitter faz parte da alegria do Carnaval, mas não precisa ser usado à custa da saúde da pele. Entender que ele pode causar microlesões, irritações e piorar quadros existentes é o primeiro passo para escolher melhor como e onde usá lo.
Com informação clara, é possível se divertir, se maquiar, registrar fotos lindas e, ao mesmo tempo, cuidar da pele com responsabilidade. Em caso de irritação persistente, vermelhidão intensa, coceira ou piora de doenças de pele já existentes, a avaliação dermatológica é essencial.
Se você quer um plano de cuidados para aproveitar o verão e o Carnaval sem prejudicar a saúde da pele, uma rotina personalizada e, quando indicado, tratamentos em consultório podem fazer toda a diferença para manter a pele bonita, forte e protegida ao longo do ano.
👩⚕️ Dra. Elyssa Campos – Dermatologista
📌 CRM GO 6617 | RQE 2124





